Ciência e Clima27 de outubro de 2026

21,1°C: a temperatura que os oceanos nunca haviam registrado desde que o monitoramento por satélite começou em 1979

21,1°C: a temperatura que os oceanos nunca haviam registrado desde que o monitoramento por satélite começou em 1979

Em 22 de agosto de 2026, a temperatura média diária da superfície dos oceanos atingiu 21,1°C, o maior valor já registrado pelo serviço europeu Copernicus desde que esse tipo de monitoramento começou, em 1979. O dado chamou atenção por acontecer fora do pico sazonal habitual, um sinal de que o calor acumulado no sistema oceânico global já ultrapassa os padrões sazonais esperados mesmo em meses historicamente mais amenos.

Esse aquecimento resulta da combinação entre tendência climática de longo prazo e o fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo de 2026. O Oceano Pacífico tropical registrou o semestre mais quente de toda a sua série histórica, enquanto o Mar Mediterrâneo, um corpo d’água especialmente sensível a mudanças atmosféricas, enfrentou ondas de calor em praticamente toda sua superfície, atingindo a marca recorde de 24,34°C em junho do mesmo ano.

Um oceano mais quente altera diretamente padrões de evaporação e circulação atmosférica, aumentando a energia disponível para chuvas intensas e eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta. A temperatura da superfície do mar, chamada tecnicamente de temperatura de fundação por ser medida a cerca de dez metros de profundidade, funciona como indicador antecipado de mudanças que depois aparecem em padrões de chuva, vento e temperatura continental.

Recordes batidos fora da época esperada carregam um sinal específico, mostram que o sistema climático já opera em território historicamente inédito. Monitorar essas temperaturas em tempo real, como fazem serviços como o Copernicus, deixou de ser uma ferramenta apenas científica para se tornar um instrumento direto de planejamento de risco para governos e setores produtivos ao redor do mundo.